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domingo, 2 de dezembro de 2012

Orgulho a que levas

Orgulho, uma palavra forte.

Todos nós temos a nossa dignidade, o nosso orgulho, as nossas convicções... Mas será que agimos de acordo com aquilo que acreditamos ser o mais certo ou será que agimos de maneira a que o nosso orgulho não saia ferido?

Já conheci muitas pessoas, já tive muitas pessoas a quem chamei amigos, assim como já tive muitas pessoas que me desiludiram e eu também já desiludi muitas. Errar é humano e isso eu compreendo, da mesma forma que também é humano escolher as pessoas que nos interessam e deixar de lado as que não nos interessam.

É bastante normal entre amigos existir um atrito, uma briga, uma confrontação de ideias e ideais, mas tudo se resolve se realmente são amigos, porque no fim o que é que realmente importa?

Cheguei à conclusão que o que importa é o teu orgulho, dizes coisas, a seguir desmentes e afirmas que os outros estão a inventar para não ficares mal na história e, mesmo quando tens mais que uma pessoa a pôr-te entre a espada e a parede, viras as costas e vais-te embora com o teu orgulho, porque ele sim é o teu melhor amigo... É isso não é? O que importa és tu e em todas as histórias "lavares as mãos" e não saíres mal, não é? Mesmo que para isso tenhas que "cagar" para quem realmente gosta de ti, só porque és demasiado orgulhosa para admitir ao teu melhor amigo que estiveste mal ou que afinal tinhas mesmo dito aquilo?

Já viste o egocentrismo? Isto vai-te levar onde? Já pensaste que enventualmente as pessoas à tua volta vão perceber que tu só te importas é contigo própria e que entre tu ou aquela pessoa, escolhes-te sempre a ti? E se um dia ficares sozinha, afinal o orgulho importou assim tanto?

Há posturas que eu não compreendo e a tua definitivamente é uma delas. O teu melhor amigo está na fase mais difícil da vida dele e tu o que fazes? Por causa da MERDA do teu orgulho, "cagas" para o teu melhor amigo, logo agora quando ele mais do que sempre precisava de ti, que pessoa isto te torna?

Sempre soube que nunca és capaz de dar o braço a trocer quando achas que tens razão, mesmo que as pessoas te põem entre a espada e a parede e te mostram que as coisas não são bem como estás a pintar, tu ficas sempre na tua e o que importa é aquilo que tu pensas. Eu percebo que a vida te tenha levado a centrares-te em ti própria e a criares esta auto-defesa, mas PORRA, é o teu melhor amigo, não tens que ter auto-defesas com ele, não importa o que faças ele não te vai julgar e vai sempre gostar de ti da mesma maneira, mas mesmo sabendo tudo isto, no fim o que importa és sempre tu e o teu orgulho, acima de tudo e qualquer coisa, é não é?

Uma mensagem com uma frase, era tudo o que era preciso: "Desculpa fui estúpida, tu és mesmo importante para mim, és o meu melhor amigo e mais nada importa, simplesmente não consigo ver-te a sofrer e a passar por tu isto sem estar ao teu lado para te apoiar".

Ele deu-te um " back off"? Não interessa, insiste, porque no fundo sabes bem o quanto ele precisa de ti e o quanto ele quer que tu estejas presente e, os amigos são para isso, para estarem lá nos bons e também nos maus momentos.

Sempre pensei que envetualmente irias enviar uma mensagem, com uma frase semelhante à de cima, mas parece que me enganei, aliás parece que me enganei de todo à cerca da tua pessoa, no fim parece que afinal o teu melhor amigo não interessa, apenas interessam tu e o teu orgulho.

Apenas me pergunto, sentes-te mesmo bem contigo própria e achas que tomaste a decisão correcta? Sinceramente, espero que não, senão que desilusão, a sério, que desilusão...

Rita

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Livre ou não livre? Eis a questão...

O mundo em que vivemos e a sociedade em que estamos inseridos condicionam, quer queiramos quer não, todas as nossas acções. As nossas definições do que está bem ou mal, do que é certo ou errado, estão contaminadas pelas definições que a sociedade lhes dá.

Gosto de pensar que sou livre, como uma borboleta, que posso voar para onde quiser, sempre que quiser. Claro que por mais indiscutível que seja o quanto eu gostava que assim fosse, nada é assim tão simples. Outro grande factor que condiciona as nossas acções são as pessoas das quais nos rodeamos e este é sem dúvidas o factor que mais condiciona as nossas acções.

Podemos ser anarquistas, não acreditar em quaisquer valores da sociedade mas as pessoas que nos rodeiam irão sempre condicionar a forma com agimos. Por isso, não somos livres, não fazemos aquilo que nos dá na real gana, porque alguém de quem gostamos ou temos um enorme carinho, vai sair magoado com as nossas acções.

Este condicionamento é tão grande e tão forte, que não importa o quanto queiramos, o quanto desejamos e o quanto sonhamos ou fantasiamos, que se essa acção magoar alguém que nos é importante, então é certo que não a vamos fazer. Se a fizermos é porque não pensamos nas consequências, não temos noção da forma com que vai afectar a pessoa ou, simplesmente, a pessoa não é assim tão importante para nós. Ahhh, o quanto isto condiciona as nossas vidas, mais do que pensamos, mas quando vale a pena, nem nos importamos que tal pessoa condicione dessa forma a nossa vida.

Para finalizar, é óbvio que quem mais condiciona as nossas acções somos nós próprios, são as acções que cometemos ou não cometemos que nos definem como pessoa, como nós. Por vezes, nem mesmo nós conseguimos explicar porque não fizemos alguma coisa, quando na verdade já tinhamos pensado nisso e até gostamos bastante da ideia, mas na hora H por algum motivo retraímo-nos e, não é por não desejarmos ou por não queremos, é simplesmente porque sim, porque naquela altura não pareceu certo.

Desejo, sonhos e por vezes fantasias, é na maioria das vezes o que resta das acções que não cometemos.

Rita

sábado, 3 de dezembro de 2011

Senti a tua falta

Hoje foi a primeira vez que senti a tua falta.

Tive um péssimo dia, fiquei tão abalada e frágil que a única coisa que me veio à cabeça foi ouvir a tua voz. Se ao menos estivesses aqui, eu sei que me farias sentir melhor, porque ninguém no mundo me compreende como tu.

Tenho saudades de nós, de seres sempre o meu porto de abrigo e de tudo aquilo que passamos juntos. Hoje fiquei frágil e pensei em ti, por mais que me custe admiti-lo.

Saíste da minha vida como um balde de água fria, mas eu como mulher que sou, ergui a minha cabeça e fiz-me a minha nova vida. Abracei-a de tal maneira, que só hoje que estou frágil senti verdadeiramente a tua falta.

Eu não quero pensar em ti, nem quero pensar mais em nós, porque tudo isto é passado e Deus sabe a raiva que me dá por sequer sentir a tua falta. Enfurece-me tudo o que fizeste, tudo o que estragaste num piscar de olhos.

Não quero mais falar disso e muito menos falar contigo. Ainda és importante para mim, sinto a tua falta, tenho saudades de nós e daquilo que podíamos ter sido. Mas és passado...

Senti a tua falta, mas não te quero de volta, pois pesando tudo na balança dos prós e contras, não vale sequer a pena mais um esforço.

Rita

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Talvez se não sonhasse...

Ainda está tudo um pouco turvo na minha cabeça, mas vou tentar contar a história...
Não sei onde estava, nem porquê, nem quem falava comigo, mas ouvia uma voz feminina a dizer-me:

- tens que lhe dizer alguma coisa! porque é que nunca mais lhe disseste nada? juro que por vezes não te entendo...

Realmente, porque raio não lhe tinha dito nada, pensava para mim. Eu mesma, às vezes não me entendo. Estávamos ali todos à tanto tempo e, depois do que se passou nem sequer tínhamos falado, não sei porquê não me importava, até me terem feito o reparo.

Sentei-me no banco, sem saber bem o que dizer.

- Desculpa. - Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Sem olhar-me nos olhos, respondeu:

- Não faz mal, sei que não é por mal que o fazes.

- Não sei porque não disse mais nada, é uma estupidez eu sei, não penses que não gosto de ti, talvez precisa-se de algum tempo para pensar...

- Pensava que as coisas eram claras para ti e sem dúvidas...

- É tão mais fácil falar do que lidar com os sentimentos. É um pouco confuso, mas tenho uma vontade que me devora de estar contigo, outra vez. Talvez deva pensar menos.

- Talvez.

Beijou-me e, senti que está de novo tudo bem, como poderia ter duvidas? O que interessa o que os outros pensam? Interessa eu ser feliz e fazer alguém feliz comigo e aquilo era certo, não havia outra maneira de eu estar bem. Lembro-me de estar a olhar para ti e te achar tão sexy que qualquer dúvida que restasse na minha cabeça voou nesse momento.


Acordei, tinha sido apenas um sonho, mas tão real, que me deixou a pensar nisso o dia inteiro.

Rita

segunda-feira, 31 de maio de 2010

- Olá...

Gelei, desde as pontas dos dedos dos pés até à ponta do meu maior cabelo

Rita

terça-feira, 25 de maio de 2010

Juventude Louca

Sentei-me na mesa com vista para o mar, fiquei à espera da minha bebida contemplando as ondas. A bebida chegou abri o meu caderno de folhas brancas e comecei a escrever. Estava compenetrada demais para reparar no que se passa a minha a volta.

Senti uma mão no meu ombro, parei de escrever e voltei-me para trás. Nunca acreditei que pudesses ser tu, como sempre estava a escrever as minhas histórias pensando em ti, fechei o caderno e fiquei em silêncio, a contemplar-te.

- Já lá vai muito tempo...
- Anos - respondi.
- Vejo que continuas a beber Baileys à tarde aqui sentada - sorriste para mim.
- Hábitos difíceis de contornar.
- Posso sentar-me um pouco?
- Está à vontade...

Ficamos a olhar-nos olhos nos olhos durante 5 minutos sem proferir-mos uma palavra que seja. O desejo de te beijar de novo, apoderava-se de mim, mas como? Como era possível depois de tudo, eu ainda sentir algo tão forte por ti? Ter um desejo insaciável dentro de mim. Levantei-me e abracei-te com toda a força que tinha, sussurrei-te ao ouvido:

- Tinha tantas saudades de ouvir a tua voz, saudades de ti. Nunca pensei que algum dia viesses à minha procura.

Ficamos a conversar durante horas, ou pelo menos assim pareceu. Contaste-me as imensas coisas que se passaram na tua vida. Sorri todo o tempo.

- Mas conta-me Rita o que é feito de ti?

Não consegui, caiu uma lágrima, olhei para baixo, tentando disfarçar...

- Não desperdices mais lágrimas tola!

Agarraste a minha mão e beijas-te-a. Senti-me protegida, como não me sentia desde os tempos de juventude louca. Aproximaste a tua cara de mim e encostamos as nossas testas, reparei que tinhas o rosto coberto de lágrimas, não tive forças para dizer o que fosse.

Senti o toque suave dos teus lábios de novo. Deixei-me engolir no mundo perdido da nossa juventude louca, ao som da nossa música e das ondas.



Rita

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Carta

Fui, neste infinito que me engoliu aos poucos...

Pouco resta de mim... Aquela pessoa que conheceste não existe mais, por tua culpa ou minha? Não sei, nem me importo em sabe-lo. Importei-me demais nesta vida com coisas insignificantes, sem sentido, que fizeram com que neste momento quem não tenha mais sentido seja eu.

Revejo cada dia da minha vida, nem todos foram maus, nem todos foram bons, simplesmente perdi a última força que tinha para me levantar, erguer a cabeça e enfrentar o novo dia.

Se alguém me desse a mão ajudava? Talvez com a tua mão eu me erguesse de novo.

Se jamais algo vai mudar, não me forces a ficar, por favor. Esperei demasiado tempo por ti, humilhei-me tantas vezes por te amar, movi mundos para estar contigo, enfrentei tudo e todos. Como acabei? Como me vês, perdida neste mundo enorme e assustador, como se fosse uma pequena criança. Mas sem uma vida toda pela frente, ela passou e eu fiquei a observá-la, sem nunca ter coragem para te enfrentar...

Nada doeu mais que a tua ignorância, o teu desprezo... Já passaram anos desde tudo, até hoje nem uma palavra me conseguiste dizer, um simples "Olá", hoje, teria feito algo valer a pena, adormeceria feliz, sabendo que não te sou indiferente.

Digo-te tudo isto hoje, porque talvez não haverá outra oportunidade de te o dizer, não terei coragem para te escrever de novo. No final de tudo apenas tentei que fossemos felizes à nossa maneira.

Não tenho mais raiva, nem ódio, ultrapassei tudo isso. Continuo a recordar com um sorriso os bons momentos que passámos, podes chamar-me fraca por ainda hoje sofrer com coisas de há tanto tempo, mas nunca tive oportunidade de te ver de novo e dizer-te tudo o que há tanto tempo tenho preso cá dentro e me atormenta.

Espero que não rasgues esta carta, guardes como uma lembrança de alguém que marcaste e talvez também te tenha marcado a ti.

Se um dia me procurares e não me encontrares mais, nem no nosso sítio habitual, que ainda hoje vou frequentemente, recorda apenas isto, os sonhos pelos quais perco todos os dias mais um pouco de mim, foram os melhores que alguma vez tive. É difícil dizê-lo, mas nunca nada foi melhor que os sonhos onde me perdi contigo.

Espero que estejas bem e não sejas um fracasso como eu. De certo que não o és, se continuas igual ao que eras em jovem, terás tido sucesso em tudo...

Não espero resposta, talvez também tu não tenhas tido coragem, ao fim de todos estes anos, para dizer uma palavra que seja a respeito de tudo...

Esperei por ti, até hoje,
Rita

PS: Se algum dia te lembrares, procura-me no sítio de sempre, alguém te saberá dizer algo sobre mim. Se já não estiver por perto, guarda em ti a memória que sempre te amei

terça-feira, 30 de março de 2010

Gotas



Estou aqui, sentada na ponta da falésia...
Apesar da paisagem magnífica a única coisa que me passa pela cabeça és tu...
Os ressentimentos misturados com ódio e fúria consomem-me, eu não preciso disto! Não quero sequer voltar a pensar em ti! Mas não consigo e isso ainda me consome mais!
Porque é que no fundo do meu ser sinto a tua falta?

(Sinto um pingo de chuva, dois, três, quatro... Está a chover, não me importo...)

Porque é que não tiraste um tempo para perceber tudo? Realizar Tudo? Eu estava ao teu lado, qualquer que fosse a situação, eu disse-te! Não quiseste saber, esqueceste-te que eu estava aqui sempre para ti... E agora? Agora os nossos caminhos são diferentes, se nos encontrasse-mos a meio caminho perceberias o erro que fizeste e como eu fiquei desfeita, quando tu nem sequer te importaste.

Todos os meus dias sinto que tenho uma nuvem cheia de chuva por cima da cabeça que me persegue e me lembra o quão na merda está a minha vida. No fundo tu importaste mas o orgulho foi demasiado grande para olhares nos meus olhos de novo. Orgulho ou vergonha? Não sei, só tu me poderias responder a isso.
Sinto-me a partir, deixo um bocadinho de mim por todos os lados, no banco, na mesa, na cama, no jardim, na rua, no café, no mar. Tu não estás cá para os juntares, não queres fazer parte de novo, olhar por mim, só porque não consegues admitir para ti que as coisas são como são e por mais que tentes não as vais conseguir contraria-las.

Fomos nós, podíamos ainda hoje ser, nunca foi estranho até pensares demais sobre isso. Realiza que tudo o que se passa não é mau, é bom e que eu te amo! Não te queria perder nem por nada. Percebe isso por favor, não te prendas, não deixes de mostrar quem és realmente, pois essa pessoa é a qual eu me apaixonei e venero mais na vida.

Volta para mim, percebe como eu percebi o porquê de sentir a tua falta...
Fala comigo, só uma vez, pessoalmente, no nosso lugar de sempre, deixa-me tentar explicar-te...
Deixa a pessoa que amo sair só um dia, deixa-me amar-te por um dia e mostrar-te como tudo podia ser perfeito...

(Sinto as gotas da chuva a rolarem pelo meu rosto)

Não digas que te sou indiferente, para ti podes já nem me amar, ou pelo menos pensar que não, mas se por acaso nos cruzarmos vais sentir um arrepio e borboletas no estômago.

Fala comigo um minuto que seja, pode ser agora, aqui à chuva...


Rita

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Festas

Rita deixou-se cair na cama de braços abertos e barriga para cima, fechou os olhos...

Sonhava de novo...

"Porquê tu?", perguntava para ela própria, nunca falaram se quer uma vez, mas parecia que insistia em aparecer nos seus sonhos repetidamente. Rita só queria olhar de longe, não precisava sequer que trocassem um "Olá"...

Acordou meia zonza, mas a sorrir, tinha tido o mesmo sonho de todas as outra noites. O telefone tocou:
- Sim?
- Olá Rita, como estás?
- Bom dia Sara. Bem, acabei de acordar... E tu?
- Tudo óptimo! Olha hoje vou dar uma festinha cá em casa, poucas pessoas, não queres cá dar um saltinho?
- Pode ser, não tinha nada combinado mesmo...
- Boa! Então até logo!
- Até Logo!

Rita tomou banho à pressa, secou o cabelo, vestiu um vestido branco, calçou as sandálias e pôs-se no carro... Chegou um pouco atrasada a festa, entrou e cumprimentou todos os que estavam na sala. Foi buscar um copo de baileys e sentou-se entretida no sofá a conversa... Minutos depois chegaram mais pessoas, foram passando a cumprimentar todos, Rita recebeu dois beijinhos, nem reparara quem a estava a cumprimentar, olhou-a nos olhos e sorriu:
- É um prazer conhecer-te, já tinha ouvido falar muito de ti...
- De mim?
- Sim, Rita não é? Só falaram bem, está descansada!
- Sim! Ah ainda bem!
- Então até já! Vou cumprimentar o resto da pessoas.
- Até já!

Sorriu, voltou costas e meteu conversa com outra pessoa.
Rita acendeu um cigarro e sorriu, era o começo de uma noite curiosa.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nego e sempre negarei



Era uma quarta-feira banal, como tantas outras, à excepção que nessa tarde íamos tomar café. Ficamos de nos encontrar na Baixa, em frente aos Armazéns do Chiado, às quarto da tarde estava lá a tua espera. Como sempre atrasaste-te, durante esse tempo fiquei a pensar que de todas as vezes que nos encontramos nunca me vem à mente um assunto para falarmos, mas incrivelmente ficamos sempre horas e horas a simplesmente conversar sobre tudo.

Ao fim de meia hora lá chegaste, depois de um abraço prolongado, decidimos subir até ao Bairro Alto, andamos sem destino por aquelas ruelas, até que encontramos um bar que nos agradou. Sentamos-nos e pedimos dois cafés.

Tinha saudades tuas e saudades de falar contigo, já não nos víamos à demasiado tempo, tinha tanto para te contar e tu a mim. Ficamos horas no bar, contamos tudo o que havia para contar, discutimos os assuntos que preocupam a sociedade, rimo-nos e choramos. Quando olhamos para o relógio já passava das oito da noite, perguntaste-me se tinha alguma coisa para fazer à noite, respondi-te que não, sugeriste jantarmos por ali, logicamente aceitei, nenhum plano seria melhor do que jantar contigo.

Descemos o Bairro Alto, andamos até ao Largo do Carmo, entramos num restaurante que parecia ter um ambiente agradável, a música ambiente era chillout, nenhum sítio podia ser mais indicado para jantar. Pedimos uma dose de rosbife e para começar uma garrafa daquele vinho branco divinal.

Como seria de esperar e, após comer-mos as entradas a garrafa de vinho já estava vazia, as nossas conversas vagueavam entre sérias e cómicas, ao ponto de discutirmos muito convictamente sobre as nossas opiniões ou chorarmos a rir com coisas parvas.
Veio o jantar, pedimos mais uma garrafa, reparámos em todas as pessoas estranhas que estavam no restaurante, rimo-nos tanto que já não conseguia largar a barriga. Pedimos as sobremesas, dois cafés e a conta.

Saímos do restaurante já bem alegres, eram dez da noite, perguntei-te se não querias ir beber mais um copo ao bairro, já sabia que irias aceitar. Lá fomos, a rirmos-nos e a metermos-nos com todas as pessoas, sentamos-nos na Associação de Loucos e Sonhadores, bebemos dois baileys e incrivelmente ainda tínhamos assuntos sem fim para conversar.

Ao fim de algumas horas, só sei que já era tarde, sugeriste darmos um saltinho à tua casa nova, ainda não a conhecia. Lá fomos a pé até São Bento, entramos num prédio com um porta pequena e escadas estreitas, subimos até ao último andar e do lado direito era a tua casa. Entrei e a primeira sensação que tive é que a tua casa tem aquilo a que se chama feng shui, uma harmonia e paz simplesmente acolhedoras. A sala era grande, na varanda tinhas uma mesa com uma vela no centro e duas cadeiras, conseguia-se ver o Tejo e a margem sul. Inspiradora a vista, consegui perceber como tens inspiração sem fim para escrever e por que gostas tanto daquela casa.
Pedi-te para sentarmos na varanda, acendeste a vela e ficamos a contemplar a vista.

Surgiu um assunto que me deixa num misto de ansiosa e nervosa, perguntaste-me se alguma vez pensei sobre ti de outra forma, se alguma vez fantasiei com algo entre nós. Não sabia o que responder, lógico que já tinha pensado, não uma nem duas vezes, tantas que não consigo contar pelos dedos, mas nunca to disse, tinha medo de como irias reagir, talvez fugisses ao assunto, ou talvez dissesses que ideia parva a minha.

Senti, não te sei explicar como, que desejavas que a resposta fosse positiva. Não te consegui responder, apenas te perguntei se já tinhas pensado nisso alguma vez. Olhaste para o chão e com alguma vergonha respondeste que sim. Eu sempre soube, desde o primeiro dia em que nos olhamos com os chamados "olhos de ver", mas convenci-me que nunca iria acontecer, por mais que o deseja-se com tanta força, que nem escrevendo conseguia acalmar esse desejo.

Passei a minha mão levemente pelo teu cabelo e pela tua cara, senti o teu desejo tão ou mais forte que o meu, levantas-te, aproximaste-te e deste-me um beijo na cara, o meu desejo nesse momento subiu ao máximo, todas a fantasias passaram pela minha cabeça a mil quilómetros à hora, sei que a ti também te aconteceu o mesmo, os nossos lábios tocaram-se e nesse momento soube que não queria que aquela noite acabasse.

Finalmente o desejo consumiu-nos, foi tão carnal e tão sentimental que só tu e eu entendemos. Acordei de manha, senti-te a abraçares-me com força, relembrei a nossa noite que só posso dizer duas coisas louca e indescritivelmente sensacional. Concordamos que nunca ninguém iria saber alguma vez daquela noite, por isso ainda hoje, tu e eu negamos e sempre negaremos.

Rita

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Noite...



Sentei-me no banco, não sabia realmente o que esperava, alguém, uma palavra, um telefonema...
Dei comigo a olhar para a outra margem do rio Tejo, contemplei o Cristo Rei, a ponte, conseguia ver lá ao fundo o porto da Trafaria, ouvia o barulho de fundo dos bares das Docas. Com toda esta paisagem e juntando-se o facto de já ser bem de noite, o meu pensamento voou para longe, para mais de mil léguas de onde me encontrava, relembrava tudo o que tinha acontecido nos últimos tempos, como era possível que tudo se tivesse passado em tão pouco tempo, não conseguia não sentir um aperto no coração, talvez saudades daqueles tempos, ou talvez apenas caía em mim a aterradora realidade que não sabia quando te veria de novo e talvez nunca voltasse a sentir o aconchego do teu abraço.
Caiu uma lágrima, escorreu pelo meu rosto a baixo, não me dei ao trabalho de a limpar, não me importava se alguém me iria ver assim, não queria saber, não queria saber de ninguém, mas também não queria estar a pensar em ti de novo, só queria um refúgio, aquele que em outros tempos foi meu, já não o é mais. Rolou outra lágrima, olhei para o telemóvel na esperança de ver uma mensagem tua ou de receber um telefonema teu, no fundo sabia que tal era tão improvável que até o podia considerar impossível.
Eram 3 horas da manhã, nem dei pelo tempo passar, de repente sinto o telemóvel a vibrar, senti aquelas borboletas no estômago e a adrenalina a subir, atendi...
- Olá, sou eu, desculpa ligar-te tão tarde, mas não sei porquê presumi que estivesses acordada. Estás de carro?
Ainda a tremer e sem acreditar: - Sim estou, mas passa-se alguma coisa?
- Vem-me buscar a casa, preciso tanto de falar contigo, sinto a tua falta.
- Tenho saudades tuas, 20 minutos estou aí.

Rita

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Estranhos...

Estava sentada no metro, ouvia as músicas que passavam no meu iPod, para variar estava num mundo bem distante, não estava a tomar atenção a nada, tinha apenas pensamentos vagos, pensava em verde, isso lembrava-me algo, que depois me lembrava outra coisa qualquer, e nada a volta importava...

De repente sinto que alguém se sentou no banco a minha frente, despertei do meu estado quase de hipnose, e olhei nos olhos dele de relance e voltei concentrar-me na minha música. Desde o momento que ele se sentou a minha frente até eu sair do metro, senti que ele me olhava fixamente, mas eu nem sequer o conhecia, ter-lhe-ei despertado algum interesse?

Enquanto caminhava pelas ruas de Lisboa, voltei a pensar naquele rapaz, o porquê de ele me olhar tão fixamente, mas não me parecia que tivesse más intenções, apenas por algum motivo eu fui a pessoa naquele dia que lhe despertou atenção... Eu própria já fiquei quase com cara de parva a olhar para alguém, porque me lembrava alguém, ou porque me despertou interesse, ou então sem motivo algum... Lembro-me que às vezes pensava "Porque não meto conversa? Mas o que é que lhe digo?", parvoíce ou não, simplesmente continuava na mesma porque nem sequer tinha coragem para meter conversa.

Um dia um amigo meu viu uma rapariga a chorar nas escadas de uma discoteca, uma rapariga bonita mas que por alguma razão aquele não estava a ser o dia perfeito para ela. Ele viu um senhor a vender flores e comprou um rosa, chegou ao pé da rapariga, ficou a olhar fixamente para ela, sorriu e ofereceu-lhe a rosa, a rapariga sorriu de volta ainda com as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto e aceitou a rosa, naquele momento é certo que ela esqueceu todos os problemas. Ele virou costas e foi-se embora. Marcou sem duvidas o dia dela, ele nunca mais a viu, mas tenho a certeza que nunca mais ela se esqueceu daquele estranho que lhe ofereceu uma rosa.

De certeza que todos já fomos abordados, nem que seja sequer uma vez, por um estranho na rua, e incrivelmente com uma conversa de 2 minutos essa pessoa conseguiu fazer a diferença, deixar a sua marca no nosso dia, que não esquecesse-mos jamais aquele estranho encontro. Ele marcou a diferença, porque ele teve coragem de vir falar connosco, talvez o objectivo dele para cada dia seja marcar a diferença na vida de uma pessoa.

E se decidisse-mos em cada dia marcar a vida de uma pessoa, não iríamos ser pessoas muito mais realizadas? Pensem nisso...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Memórias de uma noite



Memórias da noite em que te beijei pela primeira vez...

Deitei-me na cama,
tu deitaste-te logo a seguir,
estava de costas para ti.

O medo apoderava-se de mim,
até que puseste a mão no meu ombro...
Termi...

A tua mão desceu pelo meu braço,
agarraste a minha mão com força...
A ansiedade crescia...

Senti a tua respiração a aumentar,
virei-me e fiquei cara a cara contigo,
as nossas testas encostraram-se...

O sangue passava a 200 km/h pelas minhas veias,
o coração estava prestes a saltar...
Hesitaste...

Mas pela primeira vez na vida
senti que estava no lugar certo,
à hora certa, com a pessoa certa.

Avancei,
os meus lábios tocaram os teus,
senti que naquele momento
me desejavas tanto como eu a ti.

Abracei-te e pensei,
"quem me dera que o tempo parasse para sempre"...

Rita